Notícia no detalhe
III Seminário sobre Intolerância Religiosa realizado na Uenf
O Programa de Apoio à Igualdade Racial (PAIR), da Secretaria da Família e Assistência de Campos, e o Núcleo de Estudos da Exclusão e da Violência (NEEV), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), realizaram, na noite desta terça-feira (16), o III Seminário sobre Intolerância Religiosa “As universidades e as religiões brasileiras: experiências e interlocuções”. Conforme a coordenadora do NEEV, o primeiro tema debatido explica o objetivo do seminário: “As religiões afro-brasileiras em Campos dos Goytacazes: preservar, dar visibilidade e combater a discriminação”.
A mesa redonda foi composta pelo chefe do PAIR, Gilberto Coutinho, que atuou como mediador; pela coordenadora do NEEV, Lana Lage; o coordenador e a pesquisadora do Grupo de Pesquisa Estudos do Atlântico e da Diáspora Africana, da Universidade Estadual de Santa Cruz-Bahia (UESC-BA), Flávio Gonçalves dos Santos e Laila Brichta. O evento, direcionado a zeladores de casas de santo, adeptos e ministros religiosos, foi uma mobilização para I Fórum Municipal de Religiosidade de Matrizes Africanas e Afro-brasileiras, que terá como tema “Enfrentamento da intolerância na garantia dos direitos humanos e cidadania” e acontecerá nos dias 31 de outubro e 1° de novembro deste ano.
Lage explicou que, através de pesquisa do NEEV sobre intolerância e discriminação religiosa, foi verificado que praticantes de religiões afro-brasileiras são comumente vítimas de atos discriminatórios que chegam à violência física. “Casas de santo são depredadas e que essas religiões são demonizadas. As religiões afro-brasileiras fazem parte de nossa cultura; por uma sanção presidencial de 2009, passaram a ser consideradas como patrimônio imaterial do Brasil e a Constituição Federal garante a liberdade de cultos religiosos. Assim, levantamos esse debate, porque essas religiões devem ser preservadas e respeitadas”.
A mobilização busca unir universidade, representantes das religiões afro-brasileiras de Campos e governo municipal na criação de políticas públicas para o reconhecimento e proteção dessas religiões, segundo informou Gilberto Coutinho. Os pesquisadores da UESC palestraram sobre “Interlocução entre comunidades indígenas e afro-brasileiras, a produção acadêmica da UESC e as escolas de Ensino Médio e Fundamental” e “Economia e Cultura do Candomblé na Bahia. O comércio de objetos litúrgicos afro-brasileiros”.
Entre os ministros religiosos participantes do seminário, Jorginho de Ogum elogiou a iniciativa. “Precisamos, para Campos, medidas para defender a umbanda, o candomblé. Não temos, em Campos, uma federação decente e é importante pensar, junto com babalorixás e ialorixás, uma política que nos defenda. Essas religiões defendem a bandeira da caridade, do uso de ervas medicinais e, se as pessoas se interessarem, verão que há muito a aprender com as religiões afro-brasileiras”, declarou.
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