O artesanato de Campos, que já brilha em eventos nacionais e até internacionais, ganhou mais visibilidade na mídia. Três artesãos do município foram tema de um episódio do programa “Expedição Descobrindo os Tesouros do Brasil”, exibido na Band, com produção do Sebrae: Euzi de Souza Licasalio, Shirley Jardim e Yuki Satou. Suas trajetórias são marcadas por muita dedicação e, principalmente, histórias de transformação. Todos contam com o apoio da Diretoria de Economia Solidária da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.
Yuki Satou descobriu o talento para o artesanato em 2019, quando ficou desempregado. Ao visitar um local que estava sendo decorado para uma festa de casamento, admirou-se com peças de macramê penduradas nas árvores. “Eu consigo fazer isso”, pensou. Com apoio da esposa, adquiriu a matéria-prima necessária e começou a trabalhar em casa. Na pandemia, Satou deslanchou na técnica, num universo considerado tradicionalmente feminino. É um ponto fora da curva.
“Eu pedia a Deus que iluminasse meus passos, me mostrasse um novo caminho profissional, onde eu pudesse me encontrar, me realizar e, sobretudo, ajudar as pessoas. Foi aí que Ele colocou o macramê na minha vida”, conta o artesão, que hoje expõe suas peças em diversas feiras e também comercializa através do Instagram. Em sua opinião, o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação foi de suma importância. “Fez com que nosso manual se tornasse mais poderoso. Só agradecimentos”.
Euzi Licasalio trabalha com o barro que é extraído pelas cerâmicas da Baixada Campista. Para tornar-se uma das maiores referências nacionais na técnica, ela também precisou enfrentar desafios. Trabalhou como babá no Rio de Janeiro para se manter, sofreu um acidente de carro que a deixou um mês internada. Enfrentou a oposição do marido, que não queria que a esposa trabalhasse fora de casa. Mas, assim como a argila, foi moldando seu destino. Hoje concilia a modelagem em barro com crochê e pintura. Não foi fácil, admite. “Você tem que saber o que quer e saber lutar pelo que você quer”.

Shirley Jardim herdou o talento da avó indígena para criar peças a partir da taboa – uma planta que nasce nas margens de lagoas. Há mais de 30 anos dedica-se à técnica, que lhe permite produzir bolsas, chapéus, luminárias, carteiras, cestas, tapetes e cadeiras, entre outras peças que os clientes encomendam. Em 2025, Shirley entrou para o seleto grupo Top 100 do Sebrae, que reconhece artesãos de todo o Brasil que se destacam pela qualidade do seu trabalho.
“O reconhecimento nacional do artesanato campista representa muito mais do que visibilidade; é a valorização de histórias, saberes e talentos que ajudam a construir a identidade cultural da nossa cidade. Ver artesãos de Campos ocupando esse espaço de destaque é motivo de orgulho e a confirmação da importância de políticas públicas, incentivo e fortalecimento da economia solidária”, comemora o diretor de Economia Solidária, Pedro Barcelos. “Cada trabalho apresentado carrega sensibilidade, dedicação e autenticidade, mostrando ao Brasil a força transformadora da arte produzida em Campos”.
As trajetórias dos três artesãos inspiram outras centenas de pessoas. Mais de 800 profissionais de artesanato de Campos já participam do Cadastro Nacional de Artesãos, criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação para identificar quem são esses trabalhadores, onde vivem, que técnicas utilizam e quais são suas necessidades, como capacitações e espaço para exposição.
“A partir desse cadastro, que continua crescendo, já temos uma visão mais clara sobre as políticas de incentivo ao artesanato e à economia solidária que poderemos adotar a curto, médio e longo prazo. Por orientação do prefeito Frederico Paes, temos uma atenção voltada a esse segmento tão importante da nossa economia e da nossa cultura, que gera tanto emprego e renda no nosso município. Que outros Satous, Euzis e Shirleys brilhem mundo afora, mostrando para o talento da nossa terra além das nossas fronteiras”, diz o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Marcelo Neves.