Conscientizar os gestores escolares para que saibam como prevenir, identificar e agir em casos de abuso infantil. Este foi objetivo do seminário “Conscientização e Prevenção à Pedofilia”, com o delegado da Polícia Federal em Campos, Paulo Cassiano Júnior, realizado pela secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Smece), através do departamento de Gestão Escolar. O evento aconteceu nesta quarta-feira (8), na parte da manhã, no Teatro Municipal Trianon.
Além de diretores de creches e escolas, também participaram técnicos da Smece, como psicólogos, pedagogos e assistentes sociais. O secretário de Educação, Brand Arenari, abriu o evento destacando que era um tema dolorido e, infelizmente, presente na sociedade.
— O abuso infantil é um dos crimes mais bárbaros que existe. Por isso, estamos criando uma rede de proteção e cuidado para aumentar a nossa capacidade de percepção e ação em crimes desta natureza, que roubam sonhos e futuros das nossas crianças — destaca Brand Arenari, ressaltando que a Smece realiza um conjunto de iniciativas para coibir o abuso infantil como seminários, projetos dentro do Programa Saúde na Escola (PSE), e programas de fortalecimento de vínculos entre os estudantes, seus responsáveis e os profissionais de educação.
Com 17 anos de carreira, o delegado Paulo Cassiano começou frisando que o crime é muito frequente e presente no dia a dia de toda população, por mais que muitos não se deem conta.
— O abuso é o pedófilo em ação. Temos que ter em mente que o pedófilo é uma figura aparentemente agradável, sedutor e plenamente inserido na sociedade. Quase nunca possui alguma alienação mental, é discreto e só compartilha seu desejo com outros pedófilos, o que foi facilitado pelo anonimato da internet. É um médico, um treinador, um professor, um parente, um amigo da família...pessoas de confiança, quase sempre homens e metade deles vítimas de abuso na infância — ressalta o delegado.
Cassiano frisou a necessidade de nunca culpar a criança. “A relação é de sujeição. Não há relação consentida. Nós precisamos abolir este discurso de que a criança tinha formas de se defender e não quis; ou que era precocemente sexualizada. O abusador não tem prazer no sexo e sim no sofrimento, na subjugação. A criança é vítima”, exclama.
Por fim, o delegado expôs sintomas e formas de prevenção. O uso da internet, principalmente em celulares, foi colocado como um risco, tanto pela exposição em demasia da rotina infantil, dando ao abusador informações, quanto pela possibilidade do contato direto do pedófilo com ela.
— A pedofilia explodiu com a internet. Os pais precisam monitorar e limitar o acesso das crianças. Também é preciso ficar atento a alguns sintomas, mudanças comportamentais, como dificuldade de aprendizado, distúrbio de sono, agressividade, recusa em frequentar lugares, entre outros — elenca, frisando que a maioria dos casos de abuso não é notificada.