No Dia Nacional do Diabetes, lembrado em 26 de junho, a Secretaria Municipal de Saúde destaca a importância do Programa de Lesões Cutâneas e Pé Diabético, que atua na prevenção, tratamento e acompanhamento de pacientes com diabetes e outras lesões crônicas. Tendo como polo central o Centro de Referência e Tratamento de Lesões Cutâneas e Pé Diabético, o serviço é referência no município e desempenha papel fundamental na redução de complicações, internações e amputações decorrentes da doença.
Pacientes do Centro de Referência destacam a importância do programa e da assistência integral recebida. Entre eles, está a aposentada Lucinéia Martins, de 76 anos, moradora do Parque Caju, atendida há aproximadamente dez anos pela equipe.
“O atendimento aqui é muito bom. Tenho muito cuidado com a minha alimentação. Gosto de saladas e legumes, evito frituras e utilizo adoçante. Além disso, sigo as orientações médicas e faço acompanhamento com o cardiologista. Esses cuidados ajudam muito e eu aconselho outras pessoas a também cuidarem da alimentação e seguirem as orientações dos profissionais”, declarou a senhora.
Somente em 2025, o polo central realizou 26.751 atendimentos de curativos. Entre janeiro e maio deste ano, já foram contabilizados 7.980 atendimentos, números que demonstram a importância da assistência especializada oferecida pela rede municipal. Além do polo central, o atendimento é descentralizado em unidades da Atenção Primária à Saúde (APS), garantindo acesso em diversas regiões do município.
Os polos de atendimento funcionam nas UBSFs Eldorado, Lagamar, Penha, Conselheiro Josino, Lagoa de Cima, Santa Helena, Morangaba, Quilombo, Parque Rodoviário, Ururaí e Custodópolis, este último em parceria com a Faculdade de Medicina de Campos (FMC). O polo central também mantém parceria com a instituição.
Segundo a coordenadora de enfermagem do Centro de Referência, Marilzete Teles de Almeida, o principal objetivo do programa é evitar as amputações, uma das consequências mais graves do diabetes. “O programa possui grande importância para o município porque o nosso objetivo principal é prevenir as amputações. O atendimento começa na Atenção Primária, onde o paciente é avaliado, recebe orientações sobre os cuidados com os pés, circulação, sensibilidade, hidratação e uso adequado de calçados. Nosso trabalho busca evitar o surgimento de lesões e identificar precocemente qualquer alteração”, explica
A enfermeira destaca ainda a atuação da podologia especializada no atendimento aos pacientes diabéticos. “Temos uma podóloga exclusiva para pacientes diabéticos. Ela realiza os cuidados com as unhas, remoção de calosidades e orientações específicas. Muitas vezes, um pequeno corte inadequado pode gerar uma lesão grave e até levar à perda do membro. Por isso, esse atendimento é fundamental”, ressalta.
O polo central funciona como unidade de referência secundária e atende situações de urgência relacionadas ao pé diabético.
“Aqui é praticamente uma emergência do pé diabético. Temos médicos vasculares diariamente, além de endocrinologista, nutricionista, cardiologista, ortopedista, serviço social, enfermeiros e técnicos capacitados. O atendimento precoce permite controlar infecções e evitar a evolução do quadro, reduzindo o risco de internações e amputações”, afirma Marilzete.
REDE DE ATENÇÃO
A rede de assistência também contempla a atenção terciária, realizada em hospitais de referência. “A Santa Casa e o Hospital Geral de Guarus recebem os pacientes que necessitam de procedimentos hospitalares, como drenagens, cirurgias vasculares, angioplastias e amputações quando necessárias. Após o tratamento hospitalar, os pacientes retornam ao programa para continuidade do acompanhamento e dos curativos”, acrescenta.
O programa também passou a contar com suplementação nutricional para pacientes com indicação clínica, contribuindo para a cicatrização e recuperação. “A avaliação é individualizada. Nem todos os pacientes têm indicação para receber os suplementos, especialmente aqueles que possuem comprometimento renal. A nutricionista realiza a avaliação e o acompanhamento de cada caso”, explica.
A coordenadora do programa, Bianca Viveiros, reforça que o programa também desenvolve ações educativas para os usuários. “Realizamos palestras semanalmente, principalmente com a equipe de nutrição e serviço social. Também contamos com a participação dos médicos sempre que surge alguma necessidade específica dos pacientes. A educação em saúde faz parte do tratamento”, destaca Bianca.
O serviço social também possui papel importante no acompanhamento dos usuários. “Muitos pacientes apresentam dificuldades familiares ou sociais. O serviço social mantém contato com familiares, vizinhos e acompanhantes, acompanha faltas às consultas e orienta durante internações. Esse cuidado faz toda a diferença para a continuidade do tratamento”, explica a coordenadora.
“Todos recebemos um atendimento muito bom, cada um recebe a atenção que precisa. Não tenho do que reclamar. A Marilzete é uma bênção e ajuda todo mundo a transmitir paz e conforto para os pacientes”, confirmou dona Lucinéia, a senhora de 76 anos que é uma das mais antigas pacientes do programa.