O projeto “Todo mundo conta”, desenvolvido pela Gerência de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), vai levar temas ligados às políticas públicas de diversidade para uma linguagem mais simples, próxima da rotina das escolas e das famílias. A primeira produção da iniciativa, uma série de tirinhas digitais, começa a ser publicada na próxima semana no perfil da Seduct no Instagram e marca o início de uma proposta que une educação, comunicação e tecnologias digitais para tratar de situações vividas no cotidiano escolar.
A estreia da série vai abrir espaço para o tema “Letramento em Diversidade, Equidade e Inclusão e Comunicação Inclusiva”. As histórias curtas irão abordar microagressões no ambiente de trabalho, atendimento humanizado ao público, nome social e identidade, linguagem inclusiva e cultura institucional antirracista e anticapacitista. A ideia é sensibilizar profissionais da educação para o uso correto de termos relacionados à raça, gênero, deficiência e outros marcadores sociais, reforçando práticas de respeito e reduzindo falas e atitudes que reproduzem preconceitos.
Na sequência, o projeto também vai tratar de “Desenho Universal para a Aprendizagem e Gestão Equitativa”. Esse tema irá apresentar situações ligadas à neurodiversidade, acessibilidade educacional, planejamento inclusivo e equidade como garantia de direitos. Com isso, o conteúdo pretende mostrar que atender de forma justa não significa oferecer o mesmo para todos, mas garantir os apoios necessários para que cada estudante tenha condições reais de aprender e participar da vida escolar.
Outro tema previsto é “Acolhimento, Pertencimento e Saúde Mental na Rede”. As tirinhas vão destacar redes de apoio, saúde mental de estudantes e servidores, combate ao assédio e à discriminação, escuta ativa e permanência escolar. O objetivo é fortalecer a compreensão de que a inclusão também depende de ambientes seguros, de vínculos saudáveis e da atuação conjunta de diferentes profissionais da rede para que a escola seja um espaço de proteção e pertencimento.
Diego Nascimento, gerente de Diversidade e Inclusão, explica que o projeto nasce da necessidade de traduzir a linguagem institucional para o dia a dia das escolas. Segundo ele, a proposta usa as mídias digitais como ponte entre a política pública e a comunidade escolar. “A ideia é aproximar o que a secretaria planeja, acompanha e avalia da realidade de alunos, professores e famílias, usando uma linguagem acessível e um formato que faça parte da rotina das pessoas”, afirma. Ele acrescenta que o conteúdo também busca orientar sobre direitos, convivência e comportamento dentro da unidade escolar.
Simone Pedro, assistente da Gerência de Diversidade e Inclusão, destaca que muitas escolas conhecem as medidas, mas nem sempre compreendem a origem e os princípios que sustentam essas políticas. Para ela, as tirinhas cumprem uma função pedagógica ao esclarecer o sentido das ações e aproximar a secretaria da realidade vivida nas unidades. “É uma forma de explicar melhor o que está por trás das políticas e de ajudar a escola a olhar para a diversidade como algo que envolve gestão, professores, funcionários e estudantes”, resume.
A proposta também dialoga diretamente com o novo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado e transformado na Lei 15.388, de 14 de abril de 2026, que estabelece 10 anos de vigência e reúne 19 objetivos, com monitoramento bienal. Entre seus eixos centrais estão acesso, qualidade e equidade, além de diretrizes voltadas à superação das desigualdades e à erradicação de preconceitos e discriminações. Os temas das tirinhas reforçam princípios que o plano nacional já trata como prioridade, especialmente nas áreas de inclusão, formação de profissionais, convivência escolar e garantia de direitos.