Como a inteligência artificial vem transformando o ensino, de que forma o pensamento computacional pode fortalecer a aprendizagem e quais estratégias ajudam a preparar estudantes para um mundo cada vez mais digital. Estes foram alguns dos temas discutidos na I Jornada de Educação Digital e Midiática da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), nesta quarta (10), no Palácio da Cultura.
Promovido pela Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), pelo Departamento de Programas e Projetos (DPP) e pela Gerência de Tecnologias Educacionais da Seduct, o evento contou com palestras, oficinas e atividades práticas voltadas ao desenvolvimento de competências digitais e à educação midiática.
Na abertura da programação da manhã, Pompílio Reis conduziu a palestra “Letramento em IA no Ensino Fundamental: caminhos possíveis para a prática docente”, voltada ao uso consciente da inteligência artificial na escola. Ele destacou que o recurso já faz parte da vida de estudantes e professores e defendeu que a comunidade escolar aprenda a compreender, avaliar e usar essas ferramentas com responsabilidade.
“Eu sou um entusiasta da inteligência artificial e das possibilidades na educação. Hoje, mais de 70 por cento dos jovens que estão na escola já usam semanalmente ferramentas de inteligência artificial. Ele precisa conhecer, entender quais são os limites e quando a IA erra, para se apoderar dessa ferramenta e não deixar que ela faça por ele”, afirmou.
Em seguida, Ives Duque apresentou “Pensamento Computacional: a chave para aprender melhor em um mundo conectado”, com foco na presença desse tema nos documentos normativos e na aplicação prática em sala de aula. A proposta foi aproximar o conteúdo do cotidiano dos docentes e mostrar que a temática pode ser trabalhada de forma transversal.
“Vim para este evento para conversar com os professores, para entendermos juntos um pouco mais sobre o pensamento computacional, como está posto na BNCC, e também tranquilizar esse professor que ainda não teve muito contato. Eu espero que ele saia instigado a aprender sempre mais para desenvolver projetos tecnológicos voltados para a educação”, disse.
Enquanto as palestras movimentavam o auditório principal, o coworking do Palácio da Cultura recebia o Scratch Day, com projetos de robótica desenvolvidos por estudantes da rede municipal e do Instituto Federal Fluminense (IFF). O espaço atraiu crianças, jovens e educadores com demonstrações que aproximaram a programação do universo escolar de forma lúdica e acessível. Entre os destaques esteve a equipe Goytaborgs, do IFF Campos Centro, que apresentou robôs e soluções criadas pelos próprios integrantes, entre eles o robô de corrida Morato, já testado em diferentes competições e pilotado por Taiane Araújo.
O coordenador da equipe, Revair Mendes explicou que o trabalho com robótica vai além da montagem de máquinas e contribui para a formação dos estudantes em grupo. “O que fazemos com nossa equipe de robótica é formar estudantes em equipes para desenvolver algo. Participar de competições traz muita coisa para o estudante no dia a dia dele, na vivência dele. Quando ele faz um projeto em equipe, ele aprende muito, se dedica naquilo e cresce junto com os colegas”, afirmou. A Goytaborgs também chamou atenção para a competição própria que será realizada em outubro, no IFF Campus Campos Centro, ampliando o incentivo à pesquisa e à inovação entre os participantes.
Ainda no Scratch Day, a professora Michelle Mérida apresentou o projeto “Selva de Palavras com Goytaré”, desenvolvido pelas escolas municipais Senador Tarcisio Miranda e Walter Siqueira, utilizando um dos mascotes criados pela Seduct. A proposta buscou fortalecer a leitura das crianças de maneira mais atrativa, unindo linguagem, imaginação e tecnologia. “A ideia foi usar o Goytaré como um personagem que aproxima a criança da leitura e da descoberta das palavras. Quando o estudante interage com esse universo de forma leve e divertida, ele aprende com mais interesse e se sente parte do processo”, explicou.
Na parte da tarde, a jornada prossegue com as oficinas “Podcast na escola: vozes, autoria e aprendizagens”, ministrada por Lívia Guedes e Denise Carneiro Gomes, e “Entre likes e algoritmos: Educação Midiática na prática docente”, conduzida por Leandro Marlon. Murilo Souza e Ausberto S. Castro Vera apresentam “O Pensamento Computacional como metodologia de ensino”, enquanto Luíza Nogueira e Igor Pacheco abordam “O Universo da Pixel Art: criatividade e possibilidades no ambiente educacional”. Encerrando a programação, no período da noite, Daniela Machado conduz a oficina online “Leitura crítica em tempos de desinformação: criando coletivos de checagem de notícias na escola”, reforçando a importância da análise crítica da informação e do combate à desinformação no ambiente escolar.
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