A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma micobactéria, transmitida de pessoa para pessoa via respiração. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, tendo maior prevalência em homens, na faixa etária dos 30 aos 50 anos. O "Janeiro Roxo" é um mês dedicado à conscientização sobre os cuidados e a prevenção da doença. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Programa Municipal de Controle da Hanseníase, destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O ponto alto do “Janeiro Roxo” acontece no Dia Mundial de Combate à Hanseníase, celebrado no último domingo do mês, que este ano cai no dia 25. A doença tem cura, e o tratamento adequado pode prevenir sequelas. A campanha busca informar e combater o estigma relacionado à enfermidade, causada pela bactéria Mycobacterium leprae.
O médico responsável pelo Programa, o dermatologista Edilbert Pellegrini, explica que a doença está ligada ao contexto socioeconômico. Ele pontua que as lesões da hanseníase afetam principalmente a pele e o sistema nervoso periférico, começando com dormência, o que pode confundir diagnósticos com problemas ortopédicos, diabetes entre outros diagnósticos. As manifestações cutâneas variam, e a falta de dor pode atrasar a busca por tratamento. Profissionais de saúde devem estar atentos a sintomas, pois as lesões se apresentam de diferentes maneiras e podem aparecer em diversas partes do corpo.
“Nem todos os pacientes transmitem a doença, e mesmo aqueles que transmitem, após 30 dias de tratamento, deixam de transmiti-la. Além disso, o paciente pode conviver normalmente em todos os ambientes sociais, pois a transmissão ocorre por via respiratória, principalmente entre membros da mesma família, devido à necessidade de contato próximo e prolongado. A bactéria se reproduz lentamente, tornando os familiares o grupo de maior risco. Familiares próximos de pacientes com hanseníase devem ser examinados e podem fazer um teste sanguíneo para verificar contato com a bactéria. Um teste positivo indica contato, mas não necessariamente a doença, sendo recomendado acompanhamento anual por cinco anos”, orienta o médico.
Edilbert reforça que atualmente não há justificativa científica ou técnica para afastar um paciente com hanseníase, independentemente da forma da doença, do convívio familiar, social, escolar ou profissional. As limitações para o trabalho, se houver, são decorrentes de lesões neurológicas e, consequentemente, ortopédicas. Estas resultam, sobretudo, do diagnóstico tardio. Quanto maior o tempo sem diagnóstico e tratamento, maior a probabilidade de lesões neurológicas nos membros (braços e pernas), olhos e outras partes do corpo, lesões essas que podem se tornar irreversíveis.
“Uma lesão neural estabelecida não regride com o tratamento. Portanto, a precocidade no tratamento é crucial. O Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Entretanto, a eliminação da doença é viável por meio de diagnóstico e tratamento adequados”, apontou.
TRATAMENTO – O tratamento da hanseníase é gratuito, fornecido pelo SUS e dura, em média, de seis meses a um ano, ininterruptos. Além das Unidades Básicas de Saúde, o Programa Municipal de Controle da Hanseníase realiza o atendimento no Centro de Referência Augusto Guimarães, na Estrada do Santa Rosa, no Parque Santa Clara, anexo ao Hospital Geral de Guarus (HGG). O funcionamento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
A Secretaria também realiza o teste imunocromatográfico (teste rápido) para pessoas que vivem ou viveram, nos últimos cinco anos, com portador de hanseníase. Para esses contactantes, o atendimento é feito nas Unidades Básicas de Saúde da Penha e Tocos e nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) do IPS, Parque Imperial, Lagoa de Cima e Ponta da Lama. O exame para contatos visa detectar se a pessoa possui anticorpos para Mycobacterium leprae.
“O maior desafio no controle da doença é a falta de informação. Por isso, a importância de buscar por atendimento em casos de alterações de sensibilidade em áreas como mãos e pés, além de lesões cutâneas. O nosso programa conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, assistentes sociais e técnicos de enfermagem, que acolhem os pacientes. Não é necessário encaminhamento, pois somos um serviço de porta aberta. Diante de qualquer lesão, mancha ou nódulo suspeito, o paciente pode procurar o serviço e agendar uma consulta. Caso não seja hanseníase, o paciente receberá orientação; se for, estará no local certo para o tratamento”, finalizou o diretor.
JANEIRO ROXO – A campanha, cujo tema este ano é: “De janeiro a janeiro: vencer a hanseníase, é cuidar do Brasil o ano inteiro”, tem como objetivo dar visibilidade à doença, combater o preconceito e incentivar a busca pelo diagnóstico e tratamento. O Dia Mundial da Hanseníase foi instituído em 1954 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando a importância da informação, do cuidado e da prevenção.