Aprender a tocar um instrumento pode ser, além de prazeroso, muito benéfico; principalmente para quem está na terceira idade, seja principiante ou experiente na música. Para a cabeleireira Luzia Sampaio, de 71 anos, as aulas de violão serviram para aproximá-la do filho que morreu há cinco. Ela é uma das 70 alunas da Orquestra de Violões, onde 90% nunca tiveram contato com nenhum tipo de instrumento musical. Sob a batuta do Instrutor de Artes e Ofícios Luiz Fernando Rocha, o projeto inovador é realizado na Casa de Convivência do Parque Tamandaré e no Centro Dia do Idoso, em Guarus, pela Prefeitura de Campos por meio da Secretaria do Envelhecimento Saudável e Ativo (Sesa).
— Na juventude, eu cantava em programas de auditório. Mas, nunca tive contato com nenhum tipo de instrumento musical. Meu filho aprendeu a tocar violão por conta própria. Eu ficava o admirando dedilhar as cordas até o dia que ele faleceu. Alguns anos depois decidi fazer aulas de violão, e desde então, sinto meu filho mais perto de mim. A aula de violão transformou os meus dias. E, agora, já entrei para o grupo de teatro Nós Na Fita. Cada atividade que acrescento à minha vida me torna uma pessoa melhor — afirmou Luzia, frequentadora da Casa de Convivência do Parque Tamandaré.
Assim como a maior parte dos projetos e ações da Secretaria do Envelhecimento, a proposta das aulas de violão e coral é inovador. O objetivo é trabalhar a coordenação motora e estimular a memória. O professor Luiz Fernando nunca tinha trabalhado com idosos. Aceitou o desafio, porém, esbarrou na escassez de material bibliográfico específico. Estudante do curso de Música pelo Instituto Federal Fluminense, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi baseado na ação realizada com os idosos da Secretaria. Ele acredita que seja o primeiro trabalho abordando o assunto, no Brasil.
— É a melhor faixa etária que já trabalhei. Aqui me realizei. Me encontrei nesse trabalho, de verdade. Aula de violão e canto, tocar um instrumento musical; são atitudes muito importantes na vida, principalmente na terceira idade, época em que este público se torna mais sensível, empático, tolerante; e ganha vigor e ânimo. Meus alunos me ensinam enquanto eu ensino. Aprendo vários outros assuntos de vida como solidariedade, carinho, tolerância, compaixão, sentimentos bons do ser humano que ainda sobrevivem — destacou Luiz Fernando.
Os interessados devem procurar a Casa de Convivência do Parque Tamandaré ou o Centro Dia do Idoso, que funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 17h. Os alunos estão de férias e as aulas retornam em fevereiro. A turma nova de violão terá aulas às terças-feiras, às 15h. Já o coral continua com aulas às terças e quintas-feiras, às 9h.