Projeto Black e Cia promove muita arte pelo empoderamento negro
O Fashion Black Day, em sua edição Consciência Negra deste ano, reuniu poesia, rap, música, dança, arte popular, visando a reflexão contra o racismo. O Black e Cia acontece com apoio da Prefeitura através da FME e SMDHS
“Preta, pretinha. Morena não senhor. Vim de Dandara demonstrando nas linhas. Não compactuo com desamor. Eu não sou fraca. Meu cabelo não é duro. Seu deboche não me ataca. Eu sou o começo, meio, futuro. Se tenho tranças, não foi pra agradar seu mundo. A minha pele é negra sim. Não venha dizer que não tenho orgulho. Preta, pretinha. Feita com muito amor. Aonde eu passo deixo um jardim cheio de flôui. Resisto na rua. Resisto comigo. Não sou fraca. Mas não sou forte o tempo todo. Preta, pretinha. Eu amo minha cor. O racismo do dia a dia nunca vai apagar quem eu sou. Preta, pretinha. Eu sou a cor da vida. Me chame de rainha. Eu sou essa linda pretinha.”
Desta forma, marcado pelo empoderamento negro, aconteceu na noite deste 20 de novembro, no Centro Esportivo da Escola (Cede) Jardim Carioca, o Fashion Black Day, uma iniciativa do projeto Black & Cia, desenvolvido com apoio da Fundação Municipal de Esportes e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social.
A poesia destacada acima foi declamada no início do evento, pela raper Thayná Kefilwe, componente do Coletivo Artístico Negro e Indigena Dores Enjauladas, uma das participações especiais do Fashion Black Day. O coletivo nasceu há um ano na UFF-Campos e reúne 11 jovens recitando suas criações pautadas em seus dilemas sociais, nas questões sociais que aflingem jovens negros e indígenas.
Desfile de moda, declamação de poesias, música, dança, homenagens a personalidades negras do município, também compuseram o repertório da segunda edição Consciência Negra, proposta pelo Black & Cia, projeto desenvolvido há quatro anos no Cede Jardim Carioca. “Nosso projeto trabalha a diversidade humana no espaço plural. Realizamos esse evento anualmente com o intuito de através da arte, promover a reflexão pelo racismo, o empoderamento negro”, contou a diretora do Black & Cia e organizadora do evento, Cida Chagas.
Um dos momentos especiais da noite foi a entrega do Prêmio Nina Simone, que homenageou Neuzimar da Hora e Ivana Cruz, em menção às contribuições para a cultura negra, através da arte e cultura. O grupo de capoeira Gingaê e o novo conceito de dança do Ragha também animaram a noite. Teve ainda voz e violão, acompanhados de poesia, em apresentação da estudante de serviço social na UFF, Laís Larissy.
- O momento é de fortificação da frente democrática no país. E eventos assim, levantando a bandeira da igualdade racial em Campos, são fundamentais. Falar em consciência negra é falar em igualdade, justiça, equidade. A beleza está na alma, não cabe em nenhum padrão social.