“Teatro: Um voo para a Liberdade”. Este foi o tema da mesa de debate realizada nesta quinta-feira (22), na 10ª Bienal do Livro de Campos. O debate teve como discussão sobre as trajetórias da vida artística durante o Regime Militar dos participantes da mesa composta pela diretora da Cia Arte Persona, Tânia Pessanha, pelo ator e professor do curso Livre de Teatro da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Arthur Gomes; pelo doutor em sociologia política Glauber Matias e do diretor do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, Fernando Rossi.
— Percebemos que essa vertente libertária era parte da produção teatral, tão quanto da ação política em nome da luta pelo Teatro de Bolso. Só hoje que conseguimos identificar o quanto conturbado foi o momento da censura para a classe. Na luta em nome do Teatro de Bolso é importante notar que há uma recorrência de ocupação desde anos 70, luta para tomar como espaço do artista local até pouco tempo. Então é muito importante estar destacando para todos que aqui estão — destacou Glauber Matias que defendeu sua tese na Uenf: “Palco e Resistência: A geração do Teatro de Bolso e as suas lutas por hegemonia nos anos de 1980 em Campos dos Goytacazes”
O diretor do Teatro de Bolso, Fernando Rossi, conta como foi a resistência após a demolição do Teatro Municipal Trianon. “Os anos 70 foram fervescentes e em 1975, quando pisei no palco, o Trianon foi demolido. Começo a minha carreira nesse momento e a classe artística precisava resistir para não deixar morrer. Mas o poder financeiro venceu através da nossa luta que conseguimos com o nosso esforço para fortalecer ainda mais a nossa história. Depois tive problemas com várias peças por conta da censura. Lembro que nos espetáculos iam censores para observar e isso me deixava muito apreensivo”, contou Fernando Rossi.
Realização da 10ª Bienal do Livro de Campos
A programação da Bienal foi elaborada por uma comissão da FCJOL e pelo Sesc. A realização da feira literária novamente no IFF, como em sua primeira edição, traz uma economia de R$ 1,3 milhão em estrutura para a Prefeitura de Campos. A Bienal tem patrocínio da concessionária Águas do Paraíba e Realiza Construtora e conta também com o apoio do Boulevard Shopping e Instituto Federal Fluminense (IFF). O patrono é Nilo Peçanha, que foi presidente do Brasil em 1909 e 1910.
Realizações na Cultura
Além das atrações nacionalmente conhecidas, a 10ª Bienal do Livro de Campos segue valorizando os artistas e autores de Campos e região. Desde o seu início, o governo do prefeito Rafael Diniz traz realizações para o setor, como a reabertura do Teatro de Bolso, que mantém uma vasta programação de espetáculos para a população.