Foi aberta nesta quarta-feira (22), no Museu Histórico de Campos, a exposição temporária “Quilombos do Rio de Janeiro”. A mostra segue até o dia 22 de março e retrata a história do livro “A Cozinha dos Quilombolas- Sabores, Territórios e Memórias”. A obra narra como os remanescentes quilombolas usam a culinária como forma de expressão e mantém a identidade de seus ancestrais registrada e preservada.
Na abertura do evento cozinheiras de quilombos de Campos que tiveram suas receitas divulgadas no livro participaram de uma mesa redonda com o público explicando a importância de terem feito parte da obra. Logo após houve apresentação de uma roda de capoeira feminina e a venda de produtos típicos da comunidade quilombola de Conceição do Imbé.
De acordo com a diretora do Museu, Graziela Escocard, o livro “A Cozinha dos Quilombolas- Sabores, Territórios e Memórias” tem relatos e fotos dos pratos tradicionais de 29 comunidades mapeadas em todo o estado do Rio de Janeiro, inclusive as de Campos como Aleluia, Batatal, Cambucá, Conceição do Imbé e Lagoa Feia.
— O projeto chama atenção pelas questões sociais que ainda permeiam os territórios quilombolas. Cinco cozinheiras de Conceição do Imbé são personagens do livro, apresentando quatro receitas. Esta é uma exposição itinerante e as escolas também podem agendar a visitação pelo telefone 27285058 — disse.
A presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Cristina Lima, pontuou a importância das manifestações culturais e a valorização da arte.
— Para a gente, que lida com a cultura, é sempre importante esse tipo de manifestação. O patrimônio quilombola é, sobretudo, afetivo. Essa é uma iniciativa que deve ser apoiada por tudo que representa como instrumento de identidade. A gastronomia é uma arte. Temos que ter a sensibilidade de captar todas as manifestações culturais trazidas e expressas pelos diversos segmentos comunitários e regionais. Acredito que toda a cultura e forma de arte emana do povo, cabendo ao poder público incentivar e fomentar essas manifestações.
O livro “A Cozinha dos Quilombolas- Sabores, Territórios e Memórias” foi premiado em 2014 pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e recebeu em 2015, o prêmio de Cultura Afro-Fluminense, promovido pela secretaria de Estado de Cultura.