A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) disponibilizou às unidades escolares da rede municipal de ensino, com Ensino Fundamental Anos Finais, o documentário "Bambas da Planície" para que seja utilizado como recurso pedagógico em sala de aula. A medida considera a relevância do material para o fortalecimento da identidade cultural local e preservação da memória da população campista.
A proposta visa resgatar a rica, porém adormecida, história do samba campista com seus grandes baluartes. A obra foi contemplada pela Lei Paulo Gustavo e tem formato de média-metragem, destacando compositores exclusivamente campistas e a velha guarda da cidade. O documentário reúne relatos e músicas de grandes nomes do samba campista, como Geraldo Gamboa, Manoel Tancredo e Jorge Chinês, além de resultar na produção de cinco CDs com composições desses artistas.
A Subsecretaria de Ensino sugeriu que os professores utilizem o documentário promovendo atividades que contextualizem o conteúdo apresentado com a história, a cultura e as manifestações artísticas do município. Recentemente, a obra foi apresentada aos estudantes do Ciep Wilson Batista, no Parque Guarus, por exemplo.
Wilson Batista (1913–1968) foi um dos maiores compositores da história da música brasileira, considerado por muitos como o "filósofo do samba". Nascido em Campos dos Goytacazes (RJ), ele foi um sagaz cronista do cotidiano carioca e da boêmia, famoso por suas letras irônicas, de forte apelo popular.
“A iniciativa possibilita reflexões interdisciplinares envolvendo componentes curriculares como História, Língua Portuguesa, Arte e demais áreas do conhecimento, contribuindo para a valorização do patrimônio cultural campista e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento dos estudantes à sua comunidade. Contamos com o apoio das unidades escolares na divulgação e utilização deste importante material junto aos estudantes”, afirmou a subsecretária da pasta, Célia Maria Ferreira.
O documentário
O projeto nasceu de uma pesquisa iniciada em 2003 pela cantora, produtora e sambista Leny Moraes, que percorreu barracões e escolas de samba da cidade em busca de registros e histórias.
“Eu ouvia das casas noturnas e das rádios que não tinha público nem ouvinte de samba na cidade. E aquilo me incomodou bastante. Então passei a fazer essa pesquisa e me deparei com os meus ídolos, cujas músicas eu cantava desde criança nas escolas de samba, nos blocos de samba no Rio. E descobri que eram campistas, o que me animou e me entusiasmou muito. Além desses meus grandes ídolos, eu encontrei uma velha guarda sensacional, compositores campistas de altíssimo nível, e gravei cinco CDs só de compositores campistas. A gente foi guardando esse material de audiovisual sem saber como trabalhá-lo, porque na época a gente não tinha esse incentivo do governo na área da cultura para fazer esse documentário”, disse Leny.
Ela acrescentou que o documentário passou a ser um arquivo, uma memória do samba e da velha guarda campista. “A gente ainda tem material para fazer mais uns dez documentários, justamente para registrar e para que os mais jovens saibam de onde vieram, quem foram, e quem são os baluartes da nossa música. Acho perfeito que a Secretaria de Educação esteja promovendo essa história, para que os nossos jovens possam se identificar com essa cultura preta, com essa cultura local, com a cultura do samba, que não é de gueto, é real e é reverenciado pelo Brasil inteiro”, completou.
A iniciativa ganhou força com a colaboração do jornalista, fotógrafo e produtor cultural, Wellington Cordeiro, e do músico Renato Arpoador, que ajudaram a transformar o material em filme.
“Acredito que cultura e educação não devem andar desvinculadas. O documentário Bambas da Planície apresenta uma de nossas mais fortes tradições culturais, que são os representantes campistas do samba. E não há lugar mais adequado para esse processo educativo que as escolas. Precisamos apresentar às nossas crianças o que o município tem de melhor que são as manifestações artísticas e culturais. Durante a contrapartida do projeto, levamos em algumas escolas municipais, estaduais, federais e particulares, sempre cativando o público com as histórias de nossos bambas do samba”, explicou Wellington.