Aconteceu, na tarde dessa terça-feira (31), na sede da Subsecretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos (SIRDH), o lançamento do Afro Roteiro Central, projeto que visa democratizar e formar um roteiro turístico e histórico com a sinalização de prédios e monumentos históricos que simbolizam a luta, a resistência dos negros ao longo da história e a conquista da abolição da escravatura.
Os prédios da subsecretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos, do Santuário de Adoração (Largo do Rosário), na Praça Batalhão Tiradentes, e da Lira de Apolo receberam placas informativas, com QR Code, informando a história de cada local e a luta afro em Campos, formando um verdadeiro circuito turismo de valorização, memória e reconhecimento afro local.
No Pelourinho do Boulevard Francisco de Paula Carneiro, houve um ato com discursos sobre o momento inédito e a importância dos negros na construção da nossa sociedade e a valorização da cultura negra, em Campos. Em breve, o local receberá um suporte com a placa informativa do projeto, sinalizando mais um monumento de pertencimento, luta e resistência negra no município.
Participaram do evento, o subsecretário de Turismo, Edvar Júnior; a socióloga e idealizadora do projeto Afro Roteiros, Simone Pedro; o Bispo Dom Roberto Francisco Ferrería Paz; o subsecretário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Gilberto Totinho; o presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Wellington Cordeiro; o guia de Turismo, Everaldo Reis; a coordenadora do Teatro de Bolso Procópio Ferreira, Neusinha da Hora; e o presidente do Costa Doce Convention & Visitors Bureau, Ricardo Menezes; além de representantes da cultura negra local.
Para a socióloga e idealizadora projeto Afro Roteiros, Simone Pedro, o objetivo do circuito histórico é fazer as pessoas conhecerem e descobrirem a própria história.
"É o que a gente chama mesmo de ativação de territórios. Ou seja, a gente está sinalizando para fazer as pessoas conhecerem a verdadeira história de determinados pontos da cidade. E a nossa intenção realmente é que, a partir dessas descobertas, as pessoas visitem mais, permaneçam também nesse local, a ponto até, quem sabe, de fazer desse ponto um local permanente de visita, de comércio, e a gente entende que uma ação dessa tem tudo a ver com políticas de desenvolvimento dos territórios. Hoje, a gente sinalizou a Subsecretaria da Igualdade Racial para contar um pouco da história das políticas de igualdade racial no município; a Igreja do Rosário e irradiando para mais quatro pontos históricos que a gente conhece, a gente vai tentar ainda sinalizar o Pelorinho, a Lira de Apolo, que é uma sociedade musical que na época da abolição foi muito presente, muito ativa nos processos de luta e resistência”.
Para o Bispo Diocesano, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, é um roteiro de fazer memória da história da população maior da cidade, que é negra.
“Campos é um dos municípios que tem mais concentração de negros e que viveu toda uma etapa do abolicionismo, de luta e resistência. Então, recordar vultos como José do Patrocínio, Carlos Lacerda e os prédios históricos como o Pelourinho, o Largo da Igreja do Rosário e a Igreja São Benedito, que são lugares que mostram como foi se despertando essa consciência afro-brasileira, além de ter em Campos um grupo que tem uma cultura própria e essas referências de lugares que marcaram nossos ancestrais, principalmente a cultura negra que vive da ancestralidade, é muito importante. Essa iniciativa é muito importante. É um turismo histórico, especial e da categoria cultural. Parabéns à cidade de Campos, à secretaria de Turismo e à Prefeitura”.
O subsecretário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Gilberto Firmino, o Totinho, destacou o momento histórico do evento. “Esse projeto tem várias características e vários teores, um importante momento de movimentar o turismo, fazer as pessoas se verem representadas por essa étnica e o outro aspecto muito importante é de reparação histórica, é fazer com que a população negra de Campos identifique os locais de resistência, os locais onde, de fato, houve um movimento forte da comunidade negra. Então, esse projeto tem várias nuances importantes e a gente faz com que a população pense nisso e se revisite com suas solidariedades e memórias históricas. É de fundamental importância esse momento”.
Para a coordenadora do Teatro de Bolso, atriz e ativista cultural Neusinha da Hora, o pertencimento e a informação são características importantes do projeto Afro Roteiro Central. “Quando a gente trabalha com a linguagem do pertencimento, faz-se necessário um projeto desse nível de informação, porque, se a população não conhece a sua história, ela não vai se valorizar. E entrando a questão do afro-turismo junto, a gente também descobre quem realmente contribuiu para que todo esse contexto esteja fazendo parte da história do município. A gente sabe que Campos foi uma das últimas cidades a abolir a escravidão. Então, nada mais importante do que mostrar o valor e a contribuição cultural do povo preto desse município”.
Em breve, outros locais também serão sinalizados com as placas de informações do projeto em valorização à cultura negra, ampliando o circuito turístico da cidade.