Duas startups que passaram pelo Startup Campos, a Biohope Biotecnologia e a I-MicroBiotech, foram selecionadas no Programa Nacional de Apoio à Inovação Tecnológica (Tecnova III), iniciativa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). O resultado, divulgado na última semana, reforça a presença de empresas de Campos dos Goytacazes entre os projetos considerados promissores para receber apoio à inovação no estado.
A Biohope participa da edição atual do Startup Campos, enquanto a I MicroBiotech integrou a edição anterior. As duas empresas trabalham com soluções ligadas à biotecnologia e ao agronegócio, em frentes que vão do desenvolvimento de novas variedades vegetais ao uso de microrganismos para ampliar a produtividade no campo. A seleção no Tecnova amplia o alcance dessas pesquisas e pode acelerar a chegada dessas tecnologias ao mercado.
Para a CEO da Biohope, Cássia Bucher, a conquista é resultado de um trabalho contínuo de estruturação técnica e de gestão. “A trajetória de sucesso da Biohooe em editais de fomento está diretamente relacionada à forte capacidade de liderança. Eu tenho ampla experiência na elaboração de projetos para agências de fomento, bem como na coordenação técnica e administrativa de iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Essa competência tem sido determinante para a captação de recursos estratégicos e para a execução eficiente dos projetos aprovados”, afirmou.
No caso da Biohope, o projeto aprovado prevê o desenvolvimento de lúpulo adaptado ao clima tropical brasileiro por meio de edição genética. A proposta busca reduzir a dependência de importações, favorecer a produção nacional e abrir espaço para uma nova cadeia produtiva ligada ao setor cervejeiro e ao agronegócio, com potencial de gerar conhecimento aplicado e propriedade intelectual.
Júlia Rosa, CEO da I-MicroBiotech, destacou que a empresa nasceu de pesquisa acadêmica e hoje já avança para outras regiões do país. “As nossas pesquisas saíram do laboratório, foram para validações em ambientes controlados e seguiram para aplicação no campo. Os produtores foram testando essas tecnologias, foram visualizando o resultado e a gente foi conquistando alguns mercados locais, como Norte Fluminense, principalmente Norte em Campos, Macaé, o Sul do Espírito Santo”, explicou. Ela acrescentou que a startup tem alcançado produtores de outras áreas.
Júlia também destacou que a I-MicroBiotech foi fundada em 2022 por pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), com atuação voltada ao agronegócio. A empresa aposta em soluções que ajudam a aumentar a produtividade com menos impacto ambiental, em um mercado que vem ganhando espaço justamente pela busca por alternativas mais sustentáveis e eficientes para o campo.
O subsecretário municipal de Ciência e Tecnologia, Henrique da Hora, avaliou que os resultados confirmam a força da política pública de inovação em Campos. “Quando startups que passaram pelo programa Startup Campos começam a alcançar êxito, é motivo de muito orgulho para a gente, indicando que é o caminho correto. Isso significa que mais recursos destinados à inovação serão aplicados no nosso município”, afirmou. Ele lembrou ainda que, entre os selecionados no estado, cinco têm ligação com a incubadora da cidade e dois passaram pelo Startup Campos, número que, segundo ele, reforça a relevância da iniciativa local.
O Tecnova III foi criado para apoiar empresas sediadas no Rio de Janeiro no desenvolvimento de produtos, serviços ou processos inovadores, com recursos não reembolsáveis e duração de até 36 meses. Nesta edição, 40 empresas foram contempladas em áreas consideradas estratégicas, como petróleo e gás, energias alternativas, saúde, biotecnologia, agropecuária, turismo e tecnologias voltadas ao futuro, dentro de um programa que também busca aproximar startups de processos de aceleração, internacionalização e investidores.