A secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto, realizou reunião on-line com os representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Claudia Maya, coordenadora-geral de Educação Científica, e Carlos Wagner Araújo, assessor do Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica. A reunião serviu para tratar do programa federal Mais Ciência na Escola, que conta com participação de duas escolas de Campos - Pequeno Jornaleiro e José do Patrocínio.
As duas escolas integram o programa por meio do projeto “Mão na massa e pé na rua: programa interdisciplinar de integração científica, inclusão tecnológica e prática cidadã entre o ensino básico e o ensino superior”. A reunião também serviu para alinhar as iniciativas municipais de difusão e popularização da ciência com os programas do Governo Federal.
Também participaram do encontro, que aconteceu na quinta-feira (19), o subsecretário municipal de Ciência e Tecnologia, Henrique da Hora; a gerente de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Seduct, Carla Salles; professor da Escola Municipal José do Patrocínio, Igor Pacheco; e Christiano Britto Monteiro dos Santos, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), autor do projeto aprovado no Programa Nacional Mais Ciência na Escola - Grupo I.
Segundo Tânia, essa é uma articulação viabilizada por meio do projeto do professor Christiano, com apoio do professor Igor, bolsista do Programa Municipal Mais Ciência na escola, que colaboraram para que as duas escolas municipais pudessem receber os laboratórios Maker do Programa Federal.
“Embora nós tenhamos uma ação própria da educação municipal com o programa Mais Ciência na Escola, essa edição do programa federal contemplou as nossas escolas com esse laboratório Maker. E a ideia desta reunião foi estreitar essa conversa com o MCTI, no sentido de ampliar as parcerias, porque, para além da Secretaria de Educação desenvolver ações junto ao governo federal a partir do MEC, nós também ganhamos uma ponte de comunicação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para que consigamos ampliar cada vez mais a popularização e a difusão da ciência entre os nossos alunos e os nossos professores”, disse Tânia.
Para ela, isso não só movimenta o aprendizado de modo mais significativo, mas, principalmente, conduz um outro formato de educação mais atrativa, mais interessante e que permite a descoberta de novos talentos, investimento em novos projetos e, também, a capacidade do aluno enxergar os seus potenciais em outras frentes que não sejam apenas, de um modo reduzido, a leitura e a escrita.
“O Ministério da Ciência e Tecnologia está se propondo a apresentar outros projetos ligados à popularização e à difusão da ciência na educação. Desta forma, nós teremos a oportunidade, a partir do início dessas conversas, de poder estreitar essas parcerias para ampliar a nossa capacidade de alcançar cada vez mais alunos com iniciativas como essa”, destacou a secretária.
Para o subsecretário Henrique, a educação de Campos está em sintonia com as ações do Governo Federal, e segue desenvolvendo medidas pioneiras na área a ciência.
“Estamos bastante alinhados com o que acontece no Brasil, inclusive nos habilitando para sermos referência regional nesse programa e, de certo modo, irradiando a boa experiência que já temos aqui com os programas municipais, em especial o Mais Ciência na Escola, para municípios até de outros estados. Foi gratificante ver que pessoas do Ministério não só conhecem os nossos programas como elogiaram a nossa Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e a nossa Feira Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, inclusive fazendo referência, ao nosso túnel de ciência, feito na última edição”, afirmou Henrique.
Ele falou, ainda, sobre as expectativas futuras. “O próximo passo agora é a participação da nossa Secretaria em uma reunião preparatória, em Brasília, nesta semana, e a concorrência no edital que vai destinar R$ 300 milhões para todo o Brasil em ações para fomentar a ciência, tecnologia e educação básica. E vamos ter esse farol para os nossos estudantes”, informou.
ENGAJAMENTO
De acordo com Carla Salles, o governo federal está fortalecendo o Programa Nacional de Popularização da Ciência, o Pop Ciência Nacional, e Campos serve de exemplo para o restante do país, visto que tem realizado importantes ações para popularização e difusão da ciência na região.
“Eles precisam de municípios e estados que já estão engajados e como Campos já vem se destacando no âmbito de popularização, eles enxergaram na cidade um potencial para a expansão desse programa. Mediante isso, vamos tentar aprovar uma lei do Pop Ciência Municipal para facilitar a interação e a parceria no âmbito estadual e no âmbito federal, e estabelecer um acordo cooperação técnica”, adiantou Carla.
Christiano informou que a ida do núcleo do Programa Mais Ciência na Escola de Campos dos Goytacazes à Brasília representa um momento importante de reconhecimento do trabalho que vem sendo desenvolvido nas escolas públicas do município, especialmente na implantação de laboratórios maker, projetos de robótica e cultura digital. Essa participação fortalece, acrescenta ele, a integração entre universidade, escolas e governo federal, ampliando as oportunidades para estudantes e professores da rede pública.
“A iniciativa dialoga com uma concepção de educação que integra ciência, tecnologia e formação cidadã, aproximando o ensino da realidade contemporânea. Como apontam autores como Manacorda, a educação deve articular conhecimento e prática social; Manuel Castells destaca que vivemos em uma sociedade em rede, baseada no conhecimento e na tecnologia; e Henry Jenkins mostra a importância da cultura participativa, em que estudantes deixam de ser apenas consumidores e passam a ser produtores de conhecimento e tecnologia. Nesse sentido, o Programa Mais Ciência na Escola contribui para reduzir desigualdades educacionais e inserir as escolas públicas no ambiente da ciência, da inovação e da cultura digital. A participação de Campos nesse processo mostra que é possível construir uma educação pública mais inovadora, conectada e socialmente relevante”, pontuou.
Igor declarou que a reunião foi muito importante para estreitar os laços entre a universidade e a educação básica de Campos. “A ideia da popularização da ciência e o estreitamento desses laços é o que vai permitir que novos passos sejam dados rumo à educação que vincula tanto a universidade quanto o ensino municipal como polos, ou seja, transformar Campos num centro de capacitação. Eu participo como bolsista de Apoio Técnico em Extensão orientando os alunos bolsistas nas atividades com os equipamentos de sala maker que recebemos. Nós, dentro do projeto a nível nacional, estamos incluídos dentre as 30 escolas do estado do Rio de Janeiro que integram o grupo 1 ou NÓ 1, coordenadas pelo professor Christiano”, explicou Igor.