Profissionais que ajudaram a construir a história do setor de Doenças Infecto Parasitárias (DIP) do Hospital Ferreira Machado (HFM) se reuniram nessa quinta-feira (27), no Centro de Estudos da unidade, para um momento de memória, reconhecimento e emoção. A segunda roda de conversa promovida pelo Grupo de Apoio Emocional à Enfermagem (GAEE) foi dedicada a homenagear aqueles que, ao longo de 37 anos, transformaram o atendimento às pessoas vivendo com HIV no município.
Durante o evento, foi exibido um vídeo contando a trajetória da DIP, além de fotos históricas e depoimentos emocionados de profissionais que ajudaram a construir o serviço. Ao final, os convidados participaram de um coffee break. A iniciativa dá continuidade ao projeto iniciado em janeiro, quando foi realizado o primeiro encontro mensal do GAEE. A proposta é promover o cuidado com a saúde mental dos profissionais, estimular a troca de experiências e valorizar a história da enfermagem e das equipes multiprofissionais.
Um dos participantes da roda de conversa foi o técnico de enfermagem e enfermeiro Carlos Augusto Oliveira, que atuou por 37 anos na DIP. Ele destacou que o principal objetivo do encontro foi reunir a chamada “velha-guarda” do setor para relembrar casos marcantes e reforçar a relevância do trabalho desenvolvido.
“A DIP sempre foi sinônimo de responsabilidade e respeito. Nosso compromisso era oferecer dignidade às pessoas que chegavam aqui carregando o peso do preconceito e do abandono. Acolhemos com amor, conhecimento científico e humanidade. Essa roda foi um momento de nos reencontrarmos, nos abraçarmos e reafirmarmos a importância do serviço, para que essa história não se perca”, afirmou.
Carlos também ressaltou que o atendimento às pessoas vivendo com HIV sempre foi pautado pela igualdade. “O paciente precisa ser tratado com o mesmo respeito que qualquer outro. Não pode haver estigma. Essa mentalidade precisa acabar”, completou.
Entre os homenageados estiveram o médico infectologista Nélio Artiles, que chefiou o serviço por décadas; o dentista Nelson Cordeiro; a voluntária Fátima Castro, presidente da Associação Irmãos da Solidariedade, que não pôde estar presente; além de profissionais da psicologia e do serviço social, como reconhecimento pelo apoio emocional constante às equipes que lidavam diariamente com situações de sofrimento e perdas.
Nélio Artiles falou sobre a construção coletiva do setor. “Existe uma conexão muito forte entre todas as pessoas que ajudaram a construir e manter esse serviço por 37 anos. Nunca houve conflitos na DIP. As pessoas faziam porque amavam o que faziam. A liderança verdadeira é aquela em que você não precisa cobrar: todos fazem porque acreditam. A DIP, o Ferreira Machado e eu somos um só corpo”, declarou.
A assistente social Renata Melila Duarte, que atua há 17 anos na Associação Irmãos da Solidariedade, destacou a parceria histórica com a DIP. Segundo ela, desde o início houve um trabalho conjunto para acolher pessoas vivendo com HIV. “Sempre foi uma parceria de excelência. A associação acolhe e abriga pessoas há 37 anos, e a DIP sempre esteve pronta para atender, sem distinção. Nunca houve dificuldade de acesso. Foi e continua sendo um trabalho lindo”, afirmou.
O cirurgião-dentista Nelson Cordeiro dos Santos também relembrou os primeiros anos do serviço, ainda na década de 1990, quando o preconceito era ainda mais presente. “Adaptamos uma sala com o básico para garantir atendimento odontológico aos pacientes. Enfrentamos muitas dificuldades, mas o objetivo era superar o preconceito e oferecer o mínimo necessário. Com o tempo, a DIP se tornou um centro de referência, graças a uma equipe multiprofissional que entendia que o mais importante era o nós, e não o eu”, destacou.
Participando pela primeira vez da roda de conversa, Nelson classificou o encontro como especial. “Foi fantástico. Conheço essa história desde o começo e poder reviver esses momentos, ainda mais no dia do meu aniversário, foi um presente”, concluiu.